Terça-feira, Julho 29, 2008 :::
Pessoal, aqui quem escreve é um colega de trabalho do Ari, ele me passou a senha e pediu pra kim dar notícias dele. Depois de várias indas e vindas ao hospital, ele acabou ficando internado. Infecção generalizada e parece que os antibióticos não estão fazendo efeito. É possível que ele sofra uma cirurgia. Ultimamente não tem ficado muito conciente. Ele passou também a senha do e-mail dele que é arialmeida2003@yahoo.com.br e quem quiser souber notícias, é só mandar um e-mail pra esse endereço. quando eu souber de alguma coisa, aviso.
Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by Timóteo Pinto at 12:40 PM
Quarta-feira, Julho 09, 2008 :::
Um Breve Balanço de Cinco Anos da Mais Pura Falta de Noção
O último 12 de junho passou, os namorados trocaram presentes e juras de amor, muita comeu muita gente e todo mundo esqueceu, eu incluso, que esta data marcou cinco anos de existência deste blog. Eram outros tempos, outros cenários e essa marca pentagonal, cinco anos, me fez refletir sobre que diferenças são essas.
Quem através dos arquivos dá uma repassada naqueles primeiros posts vai constatar que isso era um blog bem revoltadinho. E eu era mesmo bem revoltadinho. Não se trata de envelhecer, trair a causa ou se vender ao sistema, as pessoas simplesmente mudam, ou simplesmente deveriam, ou não, mas eu mudei. No íntimo ainda me considero um revoltado, mas a revolta é contra outras coisas que fogem do escopo deste blog. O escopo deste post, é analisar o que mudou no ativismo. Porque não se enganem, este blog nasceu num contexto ativista.
Como está o ativismo hoje em dia? Eu poderia até ser mais incisivo e perguntar onde está o ativismo hoje em dia. Em fevereiro fui ao Carnaval Revolução 2008 em São Paulo e aquilo lá foi bem instrutivo pra mim, pelo menos, ou até unicamente, para esclarecer essa pergunta. O ativismo no Brasil está restrito a uns poucos críticos da civilização que nada tem a propor em termos de ação, apenas sua retórica chata e repetitiva citando os mesmos autores à exaustão e uma caralhada de vegetarianos usando, nem que seja implicitamente, sua opção alimentar para acusar o resto da humanidade ser injusta, anti-ética e, em última instância, criminosa. Ah! Temos também os primos desses, os defensores dos direitos dos animais. E só.
Tem o ativismo homo sexual, mas se você prestar bem atenção, isso já não é mais ativismo. Não estou fazendo juízo de valor, apenas aponto o que observo, hoje em dia o que eles fazem está muito mais pra propaganda. Tanto que já tem um mercado muito bem estabelecido explorando esse nicho. A prova mais gritante desse fato é a dimensão do que a parada gay de São Paulo tornou-se.
Eu odeio o pessimismo e não quero alimentá-lo com esse desabafo, apenas quero saber se mais alguém mais tem essa mesma impressão. O que eu quero é criar um debate onde saídas possam ser apresentadas. Não quero discutir se a civilização foi uma cagada ou se no futuro as pessoas vão se referir a época em que comíamos carne morta da maneira como hoje nos referimos ao período da escravidão. Não quero saber quem tem razão. Até acho justas as reivindicações deles, apenas acho pouco e quero mais. O quanto e o quê pode se pedir a mais no ativismo, é o que eu acho que deve ser debatido.
Voltando a deixa inicial do texto, que foi a época do nascimento deste bebezinho delinqüente. Sinto saudade daquela época, onde eu gritava em salto em bom tom: um tiro na boca de todos com muito amor e muito carinho. Onde, com todo o orgulho que minha deficiência de noção sempre me premiou, eu me descrevia como Delinqüente, Demente & Inconseqüente e incitava a todos a serem realistas e exigirem o impossível.
Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by Timóteo Pinto at 7:24 PM
Terça-feira, Julho 08, 2008 :::
No post de hoje, três textos para refletir e tentar reavivar a caixa de comentários com debates. O primeiro é um relato do jornalista Luiz Carlos Azenha em sua mais recente visita ao Quênia. O segundo é sobre a aceleração do tempo, de um autor obscuro e que eu achei no Google e na cagada. Por último temos o nosso Olavo de Carvalho com sua teoria sobre os grandes massacres da humanidade. Divirtam-se!
NOSSA ELITE É AMERICANA
Luiz Carlos Azenha
Depois de uma semana enfrentando os congestionamentos de uma das maiores metrópoles da África eu me perguntei onde é que os quenianos erraram.
Não, a independência dos países africanos não foi um desastre - como gostam de dizer os antigos colonizadores no escurinho do cinema. Eles adorariam que fosse essa a realidade, para que pudessem se livrar dos crimes que cometeram, dormir com a consciência tranquila e ainda tratar os africanos de forma paternalista.
A independência da África deu certo, sim, mas para poucos. Deu certo para o dono da Mercedes Benz que aparece na foto acima, por exemplo. Relativamente ao conjunto da população eles são poucos. Fazem parte de uma elite africana ligada ao governo ou aos negócios que estrangeiros brancos continuam tocando no Quênia, direta ou indiretamente.
Fui às duas maiores favelas de Nairobi nos últimos dias. Não me surpreendi pelo simples fato de que já conhecia a miséria africana, de viagens anteriores. Pelo contrário, dessa vez me peguei admirando a tenacidade, o espírito comunitário e o empreendedorismo dos quenianos.
O Quênia festeja em 2008 os 45 anos de sua independência. A frustração é óbvia. Aqui mesmo há os que argumentam que a elite negra traiu os ideais do país e continuou o regime dos colonizadores. Há uma grande dose de revolta contra o império do momento - os Estados Unidos - e seu sub-império, o Reino Unido.
Em uma repartição pública, um funcionário me disse que a rainha Elizabeth, da Inglaterra, deveria responder por crimes contra a Humanidade. Ele fazia referência aos crimes cometidos aqui pelos britânicos nos anos 50, quando combateram a rebelião Mau Mau criminalizando a população civil.
Eu lembrei a ele que a História é escrita pelos vencedores e que os britânicos ainda têm meios de controlar essa História. Mas, aos poucos, o mundo saberá o que se passou na África. Já há livros como The British Gulag, por exemplo, tratando do tema.
Mas há também aqueles que argumentam que a democracia ainda não se instalou no Quênia e que esse é o melhor caminho para alçar a grande massa da população às condições mínimas de sobreviência.
Eu refletia sobre o assunto quando recebi um e-mail de uma campanha contra o ditador Mugabe, do Zimbábue. Uma causa aparentemente nobre. No entanto, ainda não entendi o que levou o Ocidente branco a focalizar toda a sua ira contra Mugabe - e nenhuma contra o ditador da Guin'e Equatorial, por exemplo. Não sei o motivo dessa seletividade. Talvez o petróleo que a Guin'e garante a americanos, europeus e japoneses...
De repente me dei conta de que, ao julgar o Quênia, eu estava automaticamente repetindo o comportamento condescendente dos ocidentais brancos em relação à África, como se não tivessemos nossos próprios problemas e soubessemos o que é melhor para eles.
Eu me lembrei de que mais brasileiros foram à Disney do que à Amazônia. Lembrei-me que o nome de um dos programas favoritos da elite brasileira é Manhattan Connection. Que a emissora de vender bugigangas no Brasil se chama Shoptime. Que o Fashion Mall é o shopping chique do Rio de Janeiro. Que em São Paulo se festeja o haloween. Que o caderno da Folha para adolescentes é o Folhateen.
E lembrei que também temos uma elite preconceituosa e reacionária, que se comporta no Leblon e nos Jardins como se estivesse em Paris ou Nova York. Seria um elogio chamar essa elite de africana. A África não merece ser associada a algo tão vulgar e ignorante. Nossa elite é americana.
Fonte: http://www.viomundo.com.br/loucuras-que-eu-vi/nossa-elite-e-americana/
A aceleração do Tempo
Jorge Reigada
As pessoas dinâmicas e laboriosas estão percebendo que o tempo não está sendo mais suficiente para terminar uma tarefa que antes podia ser feita num tempo menor.
O comentário é quase que geral. É claro que este fato é percebido somente pelas pessoas mais observadoras. Como este assunto parece não ter importância, a conversa é logo terminada, assim que haja uma interferência alheia.
Certa vez, eu mesmo comentei este caso com um colega. Ele imediatamente quis dar uma explicação, querendo insinuar que isto é uma observação equivocada e própria de pessoas mais velhas. Como eu notei que ele já tinha uma idéia formada e que dificilmente estaria disposto a analisar a questão, resolvi parar por ali mesmo.
De fato, são as pessoas mais velhas as mais aptas para verificar que houve uma alteração do tempo. Por serem mais vividas, elas têm o passado como referência e por isto podem sentir a diferença dos tempos. Mas como isto seria uma coisa incrível, elas mesmo recorrem ao relógio e constatam que não há nada errado com o tempo.
O relógio é o aparelho que mede a duração do tempo e como ele mediu vinte e quatro horas exatas na virada de um dia para o outro, nada está errado, tudo não passa de falsa impressão.
Será que é mesmo assim?
Informações de pessoas estudiosas, ligadas a ufologia, esoterismo e canalizadoras de mensagens extraterrestres afirmam que o tempo, neste fim e início de século, está realmente andando mais rápido, porque a Terra está girando em torno de seu eixo imaginário com maior velocidade. Afirmam também que as partículas subatômicas estão vibrando numa freqüência maior e que o nosso planeta já está a meio caminho da quarta dimensão.
Na verdade, a unidade de tempo que nós utilizamos é o dia solar (24 horas), que é um giro do nosso planeta ao redor de si mesmo em relação ao Sol. Eu digo isto porque, existe também o dia sideral (23 h 56 m 04 s) que é um giro da Terra, mas em relação ao espaço sideral. Ora, se a Terra está girando mais rápido, o relógio deveria acusar esta diferença.
O observador fica sugestionado pelo relógio, que funciona como se fosse a testemunha do tempo e assim afasta toda a suspeita antes estabelecida. Ele acaba chegando à conclusão de que está mesmo é ficando velho, como dizia o meu nobre colega. Assim ele abandona sua busca e fica estacionário nas suas investigações. Afinal, será possível que a Terra está girando mais rápido? Vejam bem!
Relógios:
Os diversos tipos de relógios foram feitos para medir o tempo. Existem relógios mecânicos, eletrônicos e atômicos. Os relógios mecânicos são os mais antigos e ainda são usados até hoje. Eles possuem um mecanismo de escape que dá a marcha certa do tempo. Este dispositivo é formado essencialmente por um balanço regulável. Nos relógios de pulso, este balanço tem uma forma de um volante de carro, preso num eixo e numa mola delicada chamada pelos relojoeiros de cabelo. O balanço gira para um lado e para outro emitindo o famoso ruído de tic-tac. Existe uma pequena alavanca para apertar ou afrouxar o cabelo, regulando a marcha do relógio. Também os relógios de parede possuem um pêndulo que pode ser regulado através de uma porca, alterando seu comprimento, assim permitindo modificar sua marcha.Estes relógios mecânicos, geralmente fabricados na Suíça, quando eram trazidos para as regiões tropicais precisavam ser regulados.
Por que eu estou dizendo isto? Porque tudo isto tem relação com a velocidade de rotação da Terra. Nas proximidades do Equador a gravidade é menor, devido a velocidade linear ser maior, alterando a marcha dos relógios mecânicos.
O que foi exposto, podemos tirar a conclusão de que se a Terra tiver sua velocidade de rotação alterada para mais, a gravidade diminuirá, reduzindo também o peso do referido balanço, acelerando sua marcha. Então uma coisa vai compensar a outra. Deste modo, os relógios mecânicos não podem denunciar a alteração da velocidade da Terra.
Por outro lado, tanto os relógios eletrônicos como os atômicos, são constituídos de materiais susceptíveis de alteração com a aceleração das partículas subatômicas.
Os relógios eletrônicos possuem um cristal de quartzo (SiO2 - dióxido de silício) que pulsa numa freqüência exata dando-lhes a marcha adequada.
Já os relógios atômicos têm uma pedra de césio que emite radioatividade constante. O fluxo regular desta radiação é que controla a marcha do relógio. Esta pedra de césio também sofre efeitos da aceleração das partículas subatômicas.
Conclusão, os relógios estão nos dando uma informação que é relativamente correta, porém absolutamente falsa. O motivo que faz as pessoas perceberem a mudança de tempo é o descompasso entre o tempo disponível e a velocidade de nossas atividades.
Nesta passagem de milênio, ninguém consegue acelerar sua capacidade de trabalho a ponto de acompanhar a aceleração do tempo atual. Se a Terra estiver girando mais rápido, vai causar diminuição do peso dos objetos na sua superfície.
Pela lógica, um automóvel ficaria mais leve e conseqüentemente suas molas empurrariam a sua carroceria mais para cima. Os pára-lamas do carro ficariam mais afastados das rodas e o veículo mais elevado. Mas isto também não está acontecendo aos olhos do observador. Assim cada pessoa poderá deduzir que a gravidade continua sendo a mesma e que tudo continua tão normal que nem chega a chamar a atenção.
Na realidade, as aparências podem nos iludir, pois as molas também seriam afetadas pela aceleração das partículas atômicas causando perda da força propulsora, na mesma proporção da aceleração da velocidade de rotação terrestre.
As molas dos automóveis são feitas de aço que é uma liga de ferro, manganês e outros metais acessórios, dependendo do seu tipo. Esses elementos atômicos do aço, com certeza, também estariam sofrendo os efeitos da aceleração dimensional.
De tudo que foi explicado, fica então demonstrado como a nossa lógica, própria e residente no lado esquerdo do nosso cérebro, é falha.
Como é difícil para nós percebermos as realidades! A única forma de aguçar esta percepção é aumentar nossa atenção com a intuição que é própria do lado direito do nosso cérebro e mais ainda aprimorar nossa análise no jogo de raciocínio que envolve diversos padrões e paradigmas.
Na nossa vida prática é freqüente depararmos com o dilema de decidir entre a lógica e a intuição. Na maioria das vezes optamos pela lógica e só mais tarde percebemos que erramos por desprezar a intuição. Ela é o resultado conjuntural de nossas percepções extrasensoriais - é ela que nos mostra a mudança na velocidade do tempo.
Fonte: http://recantodasletras.uol.com.br/ensaios/1069959
Nas origens do morticínio
Olavo de Carvalho
Qual a maior causa de violência, morticínio, opressão e tirania que já se conheceu ao longo de toda a História humana?
Se fizermos essa pergunta ao cidadão comum, as respostas mais freqüentes apontarão o desejo de riquezas, a paixão nacionalista, o expansionismo imperialista, o fanatismo religioso ou ideológico, os preconceitos de raça, etc.
Todas essas causas mataram pessoas e oprimiram povos, mas não o fizeram sempre.
1) Desejar riquezas não é o mesmo que extorqui-las à força; na maior parte dos casos esse desejo não só se realiza por meios inofensivos, mas ele precisa da paz e da ordem jurídica para alcançar suas metas. Não pode ser pura coincidência que os países mais ricos e prósperos sejam os menos agressivos e os mais democráticos. Também não pode ser mero acaso que jamais tenha havido uma guerra entre duas democracias capitalistas.
2) Todos os povos têm alguma paixão nacionalista, mas só um número pequeno dentre eles agride seus vizinhos em nome dela. Na maior parte dos casos, o nacionalismo exprime-se por meios culturais perfeitamente incruentos, isto quando não é apenas uma reação passiva de autodefesa psicológica contra ameaças de fora.
3) O fanatismo religioso, especialmente islâmico, é bastante demonizado pela mídia, mas, se somarmos o número de vítimas que ele fez desde o início do século, veremos que é irrisório em comparação com as mortes causadas pelas ideologias anti-religiosas. Na modernidade, o fanatismo religioso pode ser causa de conflitos, mas não de genocídio. Apontá-lo como tal é um chavão midiático sem nenhuma base na realidade. Mesmo as guerras de religião que sacudiram o Ocidente e o Oriente, desde a Antigüidade até o fim da Idade Média, não produziram um número de vítimas que se comparasse aos das guerras e revoluções modernas sem causa religiosa.
4) O racismo, por fim, parece uma resposta adequada, por estar entre as causas da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto .
Mas por que, entre tantos racismos que existem no mundo, um único chegou a desencadear uma catástrofe dessas proporções, enquanto os outros produziram somente efeitos locais bem mais modestos, isto quanto não se limitaram a cristalizar-se num estado permanente de hostilidade incruenta entre grupos raciais, tomando a forma da discriminação, do preconceito etc.? Em vez de confundir a parte com o todo, explicando a barbárie nazista pelo “racismo”, é preciso perguntar justamente o que o racismo alemão tinha de diferente dos outros racismos, para que chegasse a produzir resultados tão descomunais.
5) A expansão imperialista causou guerras, revoluções e repressões, mas muitas vezes – a maior parte delas – conseguiu realizar-se por meios comerciais e culturais inofensivos, não raro levando a paz e a ordem a regiões conturbadas.
Cada uma dessas respostas resvala na verdade, mas não chega sequer a tocá-la. Cada um dos fatores apontados pode produzir violência, morticínio, opressão e tirania, mas não o faz sempre ou necessariamente, não o faz por um movimento autônomo, pela mera exteriorização da sua dialética interna, e sobretudo não o faz sem a intervenção de um outro fator, geralmente não mencionado na lista dos demônios populares.
Esse fator não só investe os outros de uma força mortífera que eles não têm por si próprios, mas ele por si mesmo, agindo sozinho e com pouca ou nenhuma ajuda deles, pode produzir e tem produzido os mesmos efeitos letais que produziu ao fundir-se com eles.
A maior causa de violência, morticínio, opressão e tirania é a crença de que é possível inventar um futuro melhor para toda a humanidade ou para uma parte significativa dela e realizá-lo através do poder político.
Sem somar-se a essa crença, nenhuma das causas antes mencionadas teria um milésimo do seu potencial mortífero. Sem a promessa utópica, não atrairia multidões de militantes. Sem a concentração do poder político, não teria meios de ação. Poder concentrado em torno de uma promessa de futuro: eis a fórmula infalível do genocídio.
Fonte: http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=6689&language=pt
Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by Timóteo Pinto at 2:46 PM
Segunda-feira, Julho 07, 2008 :::
Seguindo o cumprimento da hercúlea tarefa de um post por dia, aqui vai um texto do Hakim Bey que eu acho deveras interessante e gostaria de debater com alguém desocupado o suficiente para tão insana tarefa.
Sobre a Anarquia
O que é um Anarquista?
O profeta Maomé disse que qualquer um que te deseje "Paz!" pode ser considerado um Muçulmano. Igualmente, poderíamos considerar todos que se denominem "anarquistas" como anarquistas (a não ser que sejam espiões da polícia); - isso é, simplesmente aqueles que desejam a abolição do Estado.
Para os Sufi, a questão, "O que é um Muçulmano?" não desperta qualquer interesse. Ao invés disso eles se perguntam, "Quem é esse Muçulmano? Um dogmático ignorante? Um acintoso¹? Um hipócrita? Ou será ele alguém que, pelo contrário, se empenha por experienciar o conhecimento e o amor, está disposto a buscar ser pleno e harmonioso?"
"O que é um anarquista?" não é a verdadeira pergunta. A pergunta correta é: "Quem é esse anarquista?" um dogmático ignorante, acintoso¹, hipócrita? Alguém que brada ter esmagado todos os ídolos, e que ao mesmo tempo ergue novos altares mentais para cultuar fantasmas e abstrações? Será ele alguém que tenta viver no espírito da Anarquia, do não-ser-governado/não-governar, ou será alguém que meramente usa a retórica da rebelião como uma desculpa para sua inconseqüência, ressentimento e auto-pauperização?"
As picuinhas teológicas insignificantes aumentaram indesculpável e tediosamente entre os sectos anarquistas. Ao invés de exigir definições (ideologias), pergunte "O que você sabe?" - "Quais são seus verdadeiros desejos?" - "O que você vai fazer agora?" - e como Diaghilev² disse para o jovem Cocteau³ - "Me impressione!"
O que é Governo?
O Governo talvez tenha surgido como uma forma de relação estruturada entre os humanos no momento em que o poder passou a ser desigualmente distribuído, em que a vida criativa de alguns foi reduzida pelo engrandecimento de outros. Desta forma o governo opera em todas as relações em que os membros não são realmente considerados como parceiros em uma estrutura de mutualidade e simetria. O governo pode ser observado em unidades sociais tão pequenas como a família nuclear ou tão "informais" como um encontro casual entre alguns vizinhos na rua - por outro lado onde quer que o governo não possa alcançar, com certeza surgirão organizações muito maiores, estas tal qual uma mobilização insurgente ou multidões de entusiastas do compartilhamento, encontros Quakers ou Sovietes Livres, Banquetes Yomango ou sociedades benevolentes.
Um certo tipo de relações humanas que surgiu como parcerias legítimas, provavelmente através do processo de institucionalização, declinaram em direção a formas de Governo - nesse sentido uma relação amorosa tenha talvez se transformado na instituição casamento, uma micro-tirania de avareza amorosa; ou algo como uma comunidade intencional fundada livremente para tornar possível certas formas de viver, desejadas por todos os seus membros, acabou dominando e subjugando suas crianças com regras morais insignificantes, cascas vazias daquilo que uma vez foram ideais gloriosos.
A meta da Anarquia é nunca existir por mais que um curto período. Em todo lugar e todas as relações humanas sempre podem ser reduzidas a instituições que por sua vez podem se degenerar em governos. Talvez alguém possa argumentar que isso é "natural?" ...Mas e daí?! O oposto também é "natural". E se não for, então continuarei escolhendo o não-natural, o impossível.
Nós bem sabemos que relações livres (não-governadas) são perfeitamente possíveis, pois as vivenciamos de forma relativamente freqüente - e mais ainda quando nos esforçamos por cultivá-las. O anarquista opta ter por meta (também a arte, a vivacidade) a maximização das condições sociais para a emergência de tais relações. Porque é isso que desejamos e é isso o que fazemos.
E quanto ao crime?
As considerações mais elevadas podem implicar em uma forma de "ética", uma definição mutável e funcional de justiça em cada contexto e em cada situação existente. Anarquistas provavelmente poderiam considerar apenas como "criminoso" aqueles que deliberadamente agissem contra a realização de relações libertárias. Em uma sociedade hipotética onde o sistema carcerário tenha sido abolido, apenas aqueles que não tenham sido dissuadidos deste tipo de atitude poderiam ser alvo da "justiça do povo", ou mesmo da vingança.
Por hora, no entanto, seria suficiente perceber que nossa determinação de criar agora mesmo estas relações, mesmo que de um modo imperfeito e não-utópico, vai inevitavelmente nos colocar numa posição de "criminalidade" batendo de frente com o Estado, o sistema legal, e provavelmente também com as "leis não-escritas" do preconceito popular. Martírio Revolucionário está fora de moda há muito tempo, o objetivo atual é criar tanta liberdade quanto for possível sem ser pego.
Como uma sociedade anarquista funciona?
Uma sociedade anarquista funciona, sempre que duas ou mais pessoas mutuamente direcionam seus esforços na organização de uma parceria legítima, com o objetivo de alcançar desejos compartilhados (ou complementares). Nenhum governo é preciso para estruturar um encontro oculto, um jantar festivo, um mercado negro, uma tong (ou sociedade secreta de ajuda mútua), uma rede de correspondências ou uma BBS, uma relação amorosa, um movimento social espontâneo (como eco-sabotagem ou ativismo contra a AIDS), um coletivo artístico, uma comuna, um encontro pagão, uma vizinhança associada para a proteção mútua, um clube de entusiastas, uma praia de nudismo, uma Zona Autônoma Temporária. A chave, como Fourier teria dito é a paixão - ou, para usar uma palavra que possa soar mais moderna, o desejo.
O que podemos fazer para alcançá-la?
Em outras palavras, como nós maximizamos o potencial para que tais relações espontâneas possam surgir e superar o peso morto de uma sociedade sufocada por todas as variedades de governança? Como podemos dar a paixão ao reino livre, recriando o mundo de cada dia na liberdade verossímil de "espirito livre" e o grupo de desejos compartilhados? Esta é a questão de 64 dólares - que realmente não é nada demais, já que a resposta apenas pode ser encontrada na ficção científica.
Muito bem, meu senso de estratégia está inclinado a rejeitar todas as táticas remanescentes da velha "Nova Esquerda" como manifestações, performances midiáticas, protestos, petições, resistência pacífica e terrorismo aventureiro. Todo este complexo estratégico foi a muito tempo assimilado e produtificado pelo Espetáculo (se você me permite o uso deste jargão situacionista), e certamente não possui qualquer valor, nem mesmo enquanto tática de misconstrução.
Outras duas áreas estratégicas bem diferentes parecem muito mais interessantes e promissoras. Um é o complexo evocado por John Zerzan em seu Elementos de Rejeição - que é a rejeição de toda expansão de mecanismos de controle em grande escala supostamente apolíticos inerentes a instituições como o trabalho, educação, consumismo, política eleitoral, "valores familiares", etc. Os anarquistas poderiam querer voltar suas atenções no sentido de intensificar e dar um outro rumo a esses "elementos". Tais ações provavelmente cairiam na tradicional categoria de "agitprop¹", mas poderiam descambar para a tendência "esquerdista" de institucionalizar ou "fetichizar" tais programas nos termos definidos por uma elite revolucionária auto-instituída ou vanguarda.
A ação na área de "Elementos de Refutação" é algo negativo, até mesmo "niilista", enquanto a segunda área se preocupa com a emergência de organizações espontâneas capazes de prover alternativas reais às instituições de Controle. Assim as ações insurgentes de "refutação" são complementadas e aprimoradas pela proliferação e concatenação de relações "simétricas de parceria". Em certo sentido esta é uma versão melhorada da velha estratégia oscilante de agitação em prol de uma Greve Geral enquanto simultaneamente se constrói uma nova sociedade dentro da casca da velha organização. A diferença, proposta, é que a greve deve ser ampliada para além do "problema do trabalho" incluindo todo o escopo da "vida cotidiana" (num sentido Debordiano)¹¹.
Busquei apresentar propostas bem mais especificas no ensaio chamado de Zona Autônoma Temporária¹²; então aqui me limitarei a alegação de que o objetivo de tais ações não podem propriamente ser designado pela palavra "Revolução" - como uma Greve Geral, por exemplo, jamais foi uma tática "Revolucionária" e sim, mais particularmente, uma forma de "violência social" (como explicado por Sorel¹³). "A Revolução traiu a si mesma como só mais uma mercadoria", cataclismo sangrento, mais uma giro na manivela do controle - isto não é o que desejamos, mas sim uma oportunidade para a anarquia brilhar.
É a Anarquia o fim da História?
Se a vinda da anarquia nunca se "efetivar" a resposta é Não - exceto no caso especial da "História" auto-definida e privilegiada como uma auto-valorização de instituições e "governos". Mas história nesse sentido provavelmente já está morta, já "desapareceu" dentro do Espetáculo, ou da obscenidade da Simulação. A tal ponto que conforme a anarquia envolve um tipo de paleolitismo psíquico, está saudosamente situada em status pós-histórico que poderia se espelhar no pré-histórico. Se os teóricos franceses estão corretos, já começamos a entrar em tal status. A história como estória vai continuar, já que os humanos podem também ser definidos como animais que fazem estórias. mas História como uma estória oficial em pró do Controle perdeu seu monopólio no discurso. Presumo que isto poderá nos trazer alguma vantagem.
Como a Anarquia se relaciona a Tecnologia?
Se anarquia é um tipo de paleolitismo, isso não significa que temos que nos ejetar de volta a Era da Pedra lascada. Estamos interessados no retorno do Paleolítico, e não em um retorno a ele. Nesse ponto acredito que discordo de ambos Zerzan e o Fifth Estate¹, e também dos tecno-futuro-libertários da Califórnia. Ou, de certa forma, concordo com todos eles, eu sou ambos, um ludita e um cyberpunk, portanto inaceitável para ambas as partes.
Minha crença (não conhecimento) é que a sociedade que começa a se aproximar da anarquia geral vai ter que lhe dar com tecnologia no fundamento da paixão, isto é, desejo e prazer. A tecnologia da alienação falharia em sobreviver em tais condições, enquanto a tecnologia do encantamento iria provavelmente persistir. A selvageria no entanto, seria também necessariamente presente e ativa em uma parte cada vez maior do mundo, uma vez que selvageria é prazer. Uma sociedade baseada no prazer nunca nos permitiria tecnicizar ou interferir em sua diversão naturalizada.
Se é verdade que toda técnica é uma forma de meditação, então tudo é cultura. Não aceitamos objetificar a meditação por si só (depois de tudo, nossos sentidos são uma mediação entre o "mundo" e o "cérebro"), mas principalmente com relação a distorção trágica da meditação em alienação. Se a linguagem por si só é uma forma de meditação então nós podemos "purificar a linguagem da tribo"; não é a poesia que nós odiamos, mas sim linguagem enquanto Controle¹.
Por que a Anarquia nunca funcionou antes?
O que você quer dizer com "Por que a Anarquia nunca funcionou antes?!" Ela funcionou centenas, de milhões de vezes. Funcionou entre 90% da existência humana, na Pré-história. E funciona entre as tribos de caçadores e coletores até os dias de hoje. Funciona em todos os grupos de "relações livres" listados acima, dos encontros ocultos as tongs. Funciona toda vez que você convida alguns amigos para um piquenique. "Funcionou" mesmo nas "insurreições que não tiveram êxito" como nos sovietes de Munich e de Shanghai, na Baixa California em 1911, Fiume 1919, Krondstadt 1921, Paris 1968. Funcionou nas comunas, nos enclaves Maroon e nas utopias piratas. Funcionou na antiga Rhode Island na Pennsylvania, em Paris 1870, na Ucrânia, na Catalunha e em Aragão.
O chamado futuro da Anarquia é um julgamento feito precisamente pelo tipo de História que acreditamos estar moribunda. É verdade que poucos desses experimentos (exceto e o pré-histórico e o tribal) duram "muito tempo" - mas isso não diz nada sobre o valor e a natureza da experiência, de indivíduos e grupos, que vivenciaram tais períodos de liberdade. Talvez você possa recordar de algum caso amoroso, um em que mesmo agora lhe traga certo sentido a toda a sua vida, antes e depois - uma "experiência de pico". A História é cega a esta porção do espectro, o mundo da "vida cotidiana" pode ser eventualmente espaço de uma "irrupção do Maravilhoso". Sempre que isso acontece é um triunfo para anarquia. Imagine então (e isso é o tipo de história que a gente gosta) a aventura das principais Zonas Autônomas Temporárias durando seis semanas ou mesmo dois anos, o comunal senso de iluminação, camaradagem, satisfação - o indiviso sentimento de poder, de destino, de criatividade. Ninguém que já tenha vivenciado qualquer coisa como isso pode admitir por apenas um segundo que o perigo das falhas e dos riscos possam pesar sobre a glória absoluta destes breves momentos de levante. Tão logo a sacralidade deste caso de amor seja posta em dúvida, mesmo que termine em dor e sofrimento!
Ao superar o mito da derrota, sentiremos definitivamente a certeza interior do sucesso, como a fria brisa que sopra a chuva no deserto. Saber, desejar, agir no sentido de que não podemos desejar o que ainda não conhecemos. Mas há muito conhecemos o sucesso da anarquia por um longo tempo agora - em fragmentos, talvez, em flashes - mas real, real como as monções, tão real como a paixão. Se não fosse assim, como poderíamos ousar desejá-la, muito menos agir para concretizar sua vitória?
Originalmente intitulado: "The Willimantic/Rensselaer Questions" Em : Anarquia e o Fim da História (Anarchy and the End of History) pp. 87-92
Tradução e Revisão Coletivo Protopia S/A
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NOTA
1. Aquele que acinta, que cria situações desagradáveis desnecessárias, que se apega a detalhes superficiais, que age propositalmente para descontentar ou contrariar alguém. (N.T.)
2. Sergei Diaguilev (Сергей Павлович Дягилев) (nascido em 1872 – falecido em 1929), também conhecido como Serge, foi o fundador da companhia Ballets Russes a partir da qual muitos famosos dançarinos e coreógrafos surgiram. (N.T.)
3. Jean Cocteau (nascido em 1889 — falecido em 1963) foi um cineasta, ator, encenador e autor de teatro francês. foi um dos mais talentosos artistas do século XX. Além de ser diretor de cinema, foi poeta, escritor, pintor, dramaturgo, cenógrafo e ator e escultor. (N.T.)
4. No original em francês, Jouissance. (N.T.)
5. Sigla para bulletin board system. Trata-se de um sistema informático surgido na década de 1980, um software, que permite a ligação (conexão) via telefone formando uma pequena rede de computadores, permitindo que um certo número de usuários possam interagir através dela, tal qual hoje se faz com a internet, se bem que com uma abrangência limitada. (N.T.)
6. No original em inglês, Ghandian resistance. (N.T.)
7. No original em inglês, Detournement. Conceito situacionista que trata da possibilidade artística e política de tomar algum objeto criado pelo capitalismo, enquanto sistema político econômico hegemônico e distorcer seu significado e uso original para produzir um efeito crítico. (N.T.)
8. John Zerzan (nascido em 1943) é um dos principais teóricos do anarco-primitivismo da atualidade. Licenciado em Ciências Políticas pela Stanford University e em História pela San Francisco State University. Preso em 1966, nos EUA, pela sua participação nos movimentos de desobediência civil e contra a guerra do Vietnam, conhecidos pelos tumultos de Berckeley. Abandonou a carreira universitária na University of Southern California. Hoje, dedica-se à educação de crianças e à jardinagem. Promove, ainda, conferências sobre o Primitivismo e Paleo-Anarquismo em todo o mundo. É o autor de Elements of Refusal (1988) e de Future Primitive (1994), Questioning Technology (1988), The Mass Psychology of Misery, Tonality and the Totality, The Catastrophe of Postmodernism e The Nihilist's Dictionary. (N.T.)
9. Elements of Refusal, editora, Left Bank Books, Seattle, 1988. (N.A.)
10. Agitprop (em russo: агитпроп) é a contração de "agitação e propaganda". O termo teve origem na Rússia Bolchevista (a futura União Soviética), como uma redução de отдел агитации и пропаганды (otdel agitatsii i propagandy), Departamento de Agitação e Propaganda, que era parte dos comitês centrais e regionais do Partido Comunista da União Soviética. O departamento posteriormente seria renomeado para Departamento Ideológico. (N.T.)
11. Este seria o lugar certo para a questão número 9, "Qual é nossa relação com outras lutas de libertação?", o que nos parece estar sub-sumido a uma questão de táticas/estratégias. A resposta claramente poderia ser: Nós os apoiamos tendo em vista o fato deles serem atualmente movimentos de libertação (eco-sabotagem radical, minorias sexuais, etc); e os criticamos de uma forma construtiva caso desviem em direção a institucionalização (unionismo radical, movimentos pacifistas, etc) Mas também: acompanhamos a olho nú onde a ação está acontecendo. Depois de tudo, não seria a insurreição ela mesma um de nossos "prazeres criminais?" Um eterno novo horizonte onde nós nômades e vagabundos, somos capazes de experimentar novamente seu encanto..... (N.A.)
12. Zona Autônoma Temporária (originalmente publicada pela Autonomedia, N.Y., 1991) é provavelmente, o ensaio mais famoso escrito por Hakim Bey onde ele apresenta parte de sua teoria da ação transformadora através das Zonas Autônomas que, diante da presença do poder e da possibilidade da repressão, assumiriam o caráter provisório como estratégia de propagação de um modo de vida anarquista ontológico sempre buscando uma transformação rizomática a nível global. (N.T.)
13. Georges Eugène Sorel (nascido em 1847 – falecido em 1922) engenheiro formado pela École Polytechnique e teórico do sindicalismo revolucionário, muito popular na França, na Itália e nos Estados Unidos. Mas sua influência começou a decair depois de 1920. É um autor controverso quanto a linha política a qual adere. Suas idéias foram aceitas tanto pelo fascismo italiano quanto pela esquerda revolucionária deste país, influenciando consideravelmente o pensamento anarco-sindicalista (N.T.)
14. Fifth Estate (Quinto Estado) é uma revista publicada em Liberty, Tennessee e em Detroit, Michigan. seu coletivo editorial possui diferentes pontos de vistas nos assuntos abordados pela revista, todos eles no entanto partilham uma perspectiva anti-autoritária, não-dogmática, e voltada a ação transformadora. O título presumivelmente sugere que o periódico é uma alternativa para o quarto estado (tradicionalmente a mídia capitalista). (N.T.)
15. Sobre tecnologia anarquista, veja Ilhas na Rede e Dias verdes em Bruney (Islands In The Web and Green Days In Bruney) de B. Sterling, futuro-próximo SF escrito como "realismo utópico", onde um terceiro mundo pobre, desesperado e super populoso faz uso de tecnologia simples, de uma série de soluções ecológicas e humanas para resolver problemas que já existem. Veja também Energia e Eqüidade (Energy and Equity) de Ivan Ilych. (N.A.)
Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by Timóteo Pinto at 6:25 PM
Sexta-feira, Julho 04, 2008 :::
Conforme anunciado ontem, aqui está o primeiro capítulo de meu TCC sobre o filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche
O Nascimento da Tragédia
Aos 28 anos, Bigode publica seu primeiro livro, intitulado O Nascimento da Tragédia. Ao contrário do que seus detratores gostariam,essa tragédia que estava nascendo não era sua carreira como autor, mas a tragédia grega mesmo. E olha que ele tinha detratores. Tanto que a única resenha que saiu desse livro anunciava; qualquer um que escreva um trabalho desse tipo está execrado como estudioso.
Os acadêmicos se emputeceram com esse livro porque, assim como hoje, não gostavam de ver suas convicções questionadas. Aliás, o Bigode achava que os leitores ideais para seus livros levariam cem anos para nascer. Passaram-se mais de cem anos e tenho uma forte intuição de que esses leitores ainda não nasceram. Mas enfim, que merda que o Bigode falou que fez os tiozinhos darem chilique? Ele propôs o fim da dicotomia entre a experiência racional e a estética.
E que caralho significa isso? Antes que me chamem de pedante, deixa que eu explico.
O pensamento racional é aquele sério, rigoroso em seus métodos e em sua coerência. Em resumo, coisa de gente decente e de bem. Já a experiência estética é aquela que dá vasão à criatividade, às artes. Coisa de vagabundo maconheiro. Ta, as artes são respeitadas e tal, mas você entendeu o que eu quis dizer. O consenso dizia que se tratava de duas coisas bem diferentes.
Não contente com essa alfinetada na intelectualidade de sua época, Bigode disse mais. Disse que a vida estética é fundamental e que a racional é secundária. Heresia! Ainda por cima se propôs a explicar porque a cultura moderna estava doente e como ela deveria ser revivida.
Nessa hora o crítico que fez a resenha que citei deve ter jogado o livro no lixo, olhado dentro dos olhos de sua digníssima esposa e dito:
- Puta que o pariu!
- Que foi?
- Nada. Esquece. – E foi pescar.
Bigode buscou as bases de seu pensamento lá nos primórdios da cultura grega, a cultura que inventou essa merda chamada filosofia, cuja principal função é gerar hordas de desempregados e chatos de galochas. Chegando lá, nosso intrépido herói encontrou Dionísio, o deus do vinho, da orgia e da sensualidade. Jim Morrison curtia muito esse deus. Eu também.
Os seguidores de Dionísio deixam de lado a linguagem e a identidade pessoal (afinal, quem em sã consciência gostaria de ser identificado numa putaria dessas?) para entrar na dança e na chapação. A música e as drogas são seus meios e seu fim é o êxtase coletivo mística.
Esse malucão do Dionísio é justamente o deus que representa a experiência estética das artes e o caralho de asas. E porque Bigode achava que isso era fundamental e que vinha antes do resto? Porque ele era chegado numa suruba? Talvez, tanto que ele pegou sífilis, a AIDS daquela época, mas ele tirou o cú da reta dizendo que essa condição de transe nos protege brevemente do nosso sentido de isolamento e da natureza transitória da vida humana, da qual nossa intuição não nos deixa escapar. Sei.
Bigode recorda uma lenda que eu acho bem engraçada. Meu estimado leitor pode pular essa parte, ela é inútil. Para facilitar o pulo, o salto, vou contar a lenda num parágrafo só e dane-se a harmonia e evolução do texto. Certa feita o Rei Midas, aquele mesmo, que queria ouro, ouro, ouro, chegou em Sileno, o melhor amigo de Dionísio e fez uma pergunta. É, naquela época os deuses eram bem mais sociáveis e dava pra trocar umas idéias com eles. O que é? Que cara é essa? É sério veio, pergunta pro Carl Gustav Jung ou então pro Grant Morrison que eles podem confirmar que os deuses falavam com a gente. E ó, o Grant não tem nada a ver com o Jim, seu estúpido! E digo mais. Esse Sileno aí, era um demônio. Além de dar trela para reles mortais como eu e você, os deuses ainda tinham o displante de terem demônios como melhores amigos. E a pergunta de Midas? Ah é, a pergunta de Midas. Pois então, Midas chegou e lascou: Qual é a maior felicidade do homem? O demônio permaneceu no seu canto, quieto e mal humorado. Só que Midas insistiu pra caralho e por fim Sileno, puto da cara, soltou essa pérola da simpatia e da boa educação: Seu patife efêmero, nascido por acidente e trabalho árduo, porque obriga-me a dizer-te o que seria tua maior bênção não ouvir? O que seria melhor para você está fora de seu alcance, que seria não ter nascido, não ser, será nada! Mas tem uma segunda opção e essa opção é morrer o mais cedo possível! Simpático, não? Dionísio ria que se mijava dessas tiradinhas espirituosas de Sileno e era por isso que ele curtia tanto o cara. E como é que os gregos suportavam o conhecimento de tão terríveis verdades? Ah, é aqui que entra minha grande sacanagem para com os disléxicos em geral quando disse que o conhecimento dessa lenda era inútil. Os gregos contavam com a ajuda de outro deus, Apolo.
Apolo, o sol, o deus da ordem e as razão, o representante máximo do homem civilizado. Ui! Se neguinho chegar aqui, nestas alturas deste texto erudito pra cacete e lembrar do cara que lutou com o Rocky Balboa, juro que leva porrada.
Bigode nutria uma especial predileção pela música. Na verdade essa nutrição aí ele herdou de Arthur Schopenhauer, um filósofo para o qual ele pegava um pau do caralho. Segundo Arthur, a música se diferencia das outras formas de arte pelo fato de que não é uma cópia do fenômeno, mas uma cópia direta da própria vontade. É fato que Arthur Schopenhauer nunca escutou um disco de Guilherme Arantes. Para o Bigode, os conceitos, as imagens e os sentimentos ganham um sentido mais elevado sob a influência da música.
Agora, prepare o seu coração para viver altas emoções com a teoria da pesada do pestinha que estamos chamando de Bigode, porque é agora que pinta o nascimento da tragédia que dá nome ao livro. E é justamente nesta parte que abandonei a leitura do livro, pois tenha uma porção de coisas grandes pra conquistar na vida e não posso ficar aí parado.
Para fechar com chave de ouro este estudo em aberto do Nascimento da Tragédia, transcrevo a frase que, segundo a Gaia Ciência (Gay Science, em inglês), outro livro do cidadão, estava escrito na porta da casa de Nietzsche.
Moro na minha própria casa;
Nunca imitei ninguém;
Rio-me de todos os mestres;
Que nunca se riram de si.
Boa Noite bigode, durma com Deus.
Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by Timóteo Pinto at 1:00 PM
Quinta-feira, Julho 03, 2008 :::
Coleção Caralhonézimos Passos - O que é filosofia?
Quem tem o hábito feio de conversar comigo via MSN provavelmente já sabe que estou trabalhando em meu TCC sobre Nietzsche. Como ainda falta um tiquinho pra concluir o primeiro capítulo, que será publicado aqui assim que ficar pronto, vamos esquentar os motores falando um pouco sobre filosofia.
Filosofia é palavra de origem grega formada por duas outras palavras que remetem a um significado. Os filósofos ainda discutem para descobrir qual seria esse significado - mas não decidiram ainda. Filosofar é sinônimo de questionar. Um filósofo consegue fazer mais perguntas que o Zequinha do Castelo Rá-tim-bum.
Questionar faz do ser humano mais humano e menos animal (logo, o torna ainda pior do que ele já é). Há quem diga que deixando de lado (ou de frente) seu lado animal, o homem se torna filósofo e começa a pensar. Abandonando assim todos os conceitos carnais, como sexo, emoções, sexo, medo, sexo, raiva, sexo, desejo, sexo... Eu já falei sexo?
Características:
O pensamento é o início da filosofia (e o fim de qualquer diversão), pois se o homem não pensasse não poderia filosofar. Na verdade se o homem não pensasse ele não poderia fazer muita coisa de qualquer forma. O pensamento filosófico é diferente do pensamento não-filosófico. Ele não tem a palavra "não" na frente. Além disso, dentre os pensamentos não-filosóficos encontramos: pensar em mulher, futebol, sexo, comida, política, religião, realidade, etc.
Isso não implica, necessariamente, que o filósofo, ou seja, aquele que pensa o pensamento filosófico, não possa pensar os pensamentos não-filosóficos, muito pelo contrário, pois o que o faz mais humano é o mesmo que o faz mais filósofo. Ou não.
Origem:
Nascida da ociosidade grega (afinal na época deles não existiam passatempos produtivos como televisão, música emo, orkut e playboy no banheiro), a Filosofia começou com os gregos antes da Grécia existir como tal. Podemos dizer, de fato, que foi no período helênico (que vem da palavra grega Helena, que significa Heroína das novelas de Manuel Carlos, período este anterior ao grego, que nasce a Filosofia. Na verdade os gregos estão só de figurantes na história porque alguém precisava ser culpado por essa invenção.
Função da Filosofia:
As grandes escolas modernas de filosofia especializaram-se em formar filósofos para ensinar outros a serem filósofos, para poderem ensinar outros a serem filósofos, para assim poderem ensinar outros a ser (...) ad nauseum. Quer dizer, hoje se estuda filosofia apenas pra manter a tradição, já que já foi constatado que ela não serve pra nada. Nihil.
O “curso”:
O estudante dessa porra é um futuro desempregado que passa seu tempo procurando pêlo em ovo e dissertando sobre isso. 100% dos filósofos brasileiros modernos já assistiram “Super Xuxa Contra o Baixo Astral”, e todos dizem que encontraram fortes influências de Aristóteles, Weber, Nietzche (saúde) e Kafka neste filme. A maioria acaba trabalhando como digitador de teses de outros idiotas estudantes de filosofia. O mesmo vale para Sociologia, embora ela seja mais chique.
Alguns exemplos de filósofos notórios:
Confúcio - Algum cara que viveu em algum lugar da China, em alguma época e teve algumas idéias legais. Confuso vem de Confúcio, só para confirmar qualquer suspeita. Sim, as idéias legais eram confusas.
Maquiavel - Ele era um cara mau, tinha muitas idéias maquiavélicas. Puxou tanto o saco da elite da época que acabou fudido.
Kant- Kant foi um filósofo, mesmo sem ter uma letra s em seu nome como Descartes, Schopenhauer, Nietzsche, Siegmund (ops... deslize) Freud, Santa Claus e Jesuis. Foi o precursor das filosofia Kantiana.
Schopenhauer - Fez um belo tratado sobre cores de giz de cera Crayon, qual por ter rabiscado a parede do quartinho de bagunça, preconizou sua mãe escritora de livros mais importantes - e desconhecidos - do planeta inteiro. Depois ficou chorando no quarto e ajudou um tanto nos movimentos eMuUuUxXxXXXxXX e góticu dizendo a frase: "Viver é sofrer" Ou algo bichinha, pouco viril, pouco másculo que foi também a síntese da bandeira francesa, só que em francês: Sofrèret Érrerèt Sofrerrè, implicando o alto poder gay desta língua.
Nietzsche- Ele estudou durante muitos anos para descobrir que filosofar não levava a nada e desistiu de tudo, e resolveu ser feliz e não pensar mais no assunto. Dizem que retornou (mas não eternamente) com uma discreta aparição no Clube do Bolinha sob a alcunha de Belchior. Dizem também viver chorando entre obras de psicólogos por aí.
Descartes - É registrado como o primeiro filósofo da Idade Moderna que não sabia mais de três palavras em latim. Escreveu um livro todo em francês, e para se fazer de intelectual, escreveu alguns caracteres aleatórios, e crê-se que inventou novas palavras em latim: Cogito, Ergo e Sum
Marilena Chauí - Grande representante das obras Pedagógico filosóficas, tenta escrever livros acadêmicos mesmo que os mesmos nunca tenham saido do nível de Pré-Escola. Atualmente esta tendo um caso amoroso com o Janos Biro.
Olavo de Carvalho - O grande difusor da escola do anti-pensamento moderno. Sua filosofia espalha-se tal como a AIDS e deixa o portador desarmado intelectualmente. Adepto da idiotice aplicada, Olavão é a grande figura da corrente involucionista, defendendo ardentemente a volta do pensamento à idade média.
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::: posted by Timóteo Pinto at 6:23 PM
Quarta-feira, Julho 02, 2008 :::
PAC (Plano de Aceleração da... sei lá, improvisa aí alguma coisa pra justificar a sigla e dar um título metido a besta pra esse post
Pra quem reclama da irregularidade dos posts desse blog, venho por meio deste avisar que minha vagabundagem postera está com os dias contados. Comecei a trabalhar numa reforma ampla do template. A primeira coisa que farei é uma faxina nos links da coluna esquerda. Tem muito link quebrado, de gente que a muito tempo já criou vergonha na cara e passou a fazer algo mais útil que blogar. Vou apagar todas as porras de links quebrados. Após essa faxina vou incluir novos links, de gente nova que nos links e que eu filhadaputamente, nunca linkei.
Depois disso, começarei a postar com mais regularidade, nem que seja textos de terceiros que eu acho interessante ou então plágios descarados que, na era Google, ficou muito mais difícil de fazer. E pra todo mundo que me cobra uma continuação da novela patafísica discordiana, fica o aviso que que sim, eu continuar a escrevê-la, assim que as Estranhas Sincronicidades pararem de me assustar.
Então começo a regularidade dos post apresentando a Desciclopédia, que pra muito gente não é novidade, mas pra pregos como eu, que só descobri ela na semana passada (e na cagada ainda por cima), pode até ser útil. Vou colar aqui um verbete que me provocou incontingência urinária gargalhal e no fim, o link pra página principal da dita cuja.
Neve
Neve, do Seu Creyssonico Geládico pa Caralíquiu é algo que você só viu pela TV, ou em alguma revista de turismo que você recebeu pelo correio. Ela é o fenômeno natural mais chique de todos, e a prova disso é que só tem ela em países decentes e na Argentina. Algum morador do Sul Brasileiro pode dizer que tem neve, mas aquilo é GEADA entende? GEADA. Não neve.
A Neve aparece quando está frio pra caralho e como a chuva não gosta de frio, ela chama a Neve para vir em seu lugar. É formada quando a chuva começa a chover em um dia frio. Ao notar tal frio, a chuva começa a se agrupar para tentar se aquecer, mas acaba sendo destruída no processo, liberando purpurina branca, ou Neve.
Ela têm uma coloração branco-neve e é bastante gelada, além de ter um amor plâtonico pelo calor, tão grande e incomensurável que ela chega a se derreter toda pelo simples fato de estar no mesmo ambiente que ele.
A Neve disfarça-se de bonitinha e fofinha, mas na verdade é um dos fenômenos mais cruéis da natureza, sendo capaz de fatos terríveis como te obrigar a tomar chocolate quente e comer marshmallows no espeto, mas também é uma época 'feliz', onde certos animais diminutivos em significância quaisquer desfilam por aí a lembrança dos nossos antepassados das cavernas, usando peles de outros animais, sem poder de defesa, como única alternativa para se proteger do intenso frio, geralmente relacionado a sua presença (-da neve).
Em alguns países do mundo, a neve também é usada como método de refrigeramento de bebidas em geral além como iguaria, deveras nutritiva (Quem nunca esperimentou um ensopado de Neve, ou um Snow Flakes?)
Ela desempenha um papel muito importante em diversas modalidades esportivas de grande expressão e amados internacionalmente, praticados em todo o mundo e com uma popularidade extrema, como Hóquei, Bobsled, Curling e claro, Construção de Bonecos de Neve.
Mais sobre o verbete NEVE aqui
E olink pra página principal ééééééééé:
Desciclopédia,
a enciclopédia livre de conteúdo e que qualquer um pode editar.
Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by Timóteo Pinto at 6:04 PM
Segunda-feira, Junho 23, 2008 :::
Casamento de Cú é Rola & A Arte de Inventar Palavras
Nietzsche falou que originalidade seria ver uma coisa que ainda não tem nome, que ainda não pode ser mencionada, ainda que toda a gente a tenha debaixo dos olhos. Somente com um nome alguma coisa começa a tornar-se visível. Pois bem, a idéia que eu tive talvez se encaixe nesse modelo explicativo para a originalidade. Talvez.
O estado da Califórnia acabou aprovando a existência oficial do casamento. O rebanho dos mantenedores do senso comum imediatamente começou a apalaudir o que seria um avanço nas liberdades civis, respeito a diversidade e blá, blá e, é claro, blá. Agora se municiem de a sinceridade disponíveis em suas carteiras e me respondam. O casamento é um avanço? Desde quando a conquista do direito de casar é um avanço. Não faz muito que foi vencida a batalha pelo direito ao divórcio!
Sem contar a contradição em termos, se levar em consideração que casamento e matrimônio são sinônimos e que matrimônio significa suporte à maternidade. Aí a coisa já chega nos limites da comédia, mas vou ser comedido aqui, porque comédia com a questão da homosexualidade ultimamente tem sido causa de processos por preconceito. Me abstenho aqui de entrar muito na questão
Ta, mas qual é a porra da idéia que você teve, seu homofóbico enrustido?
Pois então, minha proposta é uma mudança do conceito de União Civil e a conseqüente obsolência da instituição e da palavra casamento, pois ela não será muito adequada para descrever a situação, como vocês poderão verificar a seguir. A palavra que descreverá essa nova forma de União Civil ainda está por ser inventada, por enquanto vou chamar de Novo Casamento, a despeito de odiar esse uso do termo Novo. A idéia está baseada na proposta de desligamento da União entre pessoas, das relações de sexo e amor.
Duas, ou mais pessoas, do mesmo sexo ou não poderiam casar numa união formal, ratificada pelo código civil. Assim, eu, Jean, Fábio, Vinicius e Sergio poderíamos nos casar e formar uma família que abarcaria nossas futuras parceiras e possíveis filhos. Todo mundo sendo responsável por todo mundo, usando os bens em comum de uma maneira comum. Se um morresse, os outros herdariam seus bens e seriam responsáveis pela segurança de seus filhos. Isso seria uma revolução na falida instituição familiar.
Eu poderia ir mais longe e acabar também com afigura da mãe, do pai e do irmão, mas aí já estaria indo longe demais em um insight que ainda não compartilhei com ninguém, e isso pode me aproximar muito daquilo que os acadêmicos de Harvard costumam mui acertadamente chamar de viagem na maionese.
Alguém aí topa analisar esse meme com vinte e três centímetros cúbicos de atenção? E mais, alguém arrisca um nome para essa nova instituição? Se chegarmos a um consenso bacana sou capaz de ir até o Rio de Janeiro só pra mostrar o projeto pro Fernando Gabeira e ver se ele topa levar a questão ao Congresso Nacional e assim, posarmos de gostosões vanguardistas metidos a besta que no fundo, é o que somos.
Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by Timóteo Pinto at 12:50 PM
Sexta-feira, Junho 20, 2008 :::
Eu Não Sei o que as Sincronicidades Fizeram Comigo Na Noite Passada
Ontem, eu meu primeiro post no Tudismocroned, relatei as estranhas coinscidências que começaram a me ocorrer quando passei a publicar a novela patafísica/discordiana O Patafísico & a Deusa. Pois bem, eu fiz isso, postar o texto, lá por volta das 18 horas. Minutos depois, estava mantendo um agradável colóquio com o Respeitabilíssimo Reverendo Beraldo via MSN. Falávamos banalidades, nem lembro do que falávamos. Paralelamente estava conversando com uma mina. Eis que de repente percebo uma semelhança brutal entre a imagem que o Beraldo estava usando na sua janela do MSN com a imagem que mina estava usando. Intrigante, muito intrigante, como vocês podem observar abaixo.
Só que a coisa não parou por aí. Assustado que fiquei, resolvi dar um print screen e compartilhei a imagem com o Reverendo. Para me descontrair, ele falou que aquela imagem que ele estava usando era um símbolo rúnico para que seu namoro durasse mais tempo. Tempo sufuciente para ele fazer sexo com sua amada. Aí foi que fudeu tudo, pois a mina em que estão, não a que ele quer comer, mas a que estava falando paralelamente comigo com uma imagem semelhante a dele, era uma ex-namorada minha. A única ex-namorada minha que continuou minha amiga e que ainda tenho algum contato. Até o Beraldo se assustou. Resolvi fechar tudo, desligar o computador e ir embora do trampo.
Estava tão impressionado que esperei o ônibus num estado de alerta sincrônico tal que não me surpreenderia se o motorista do ônibus fosse o Badan Palhares que eu citei no capítulo dois e que, estranhamente, ninguém me perguntou quem era nem nos comentários e nem nas conversas em off no MSN.
De noite no hotel, me distraí por completo e esqueci essa putaria sincrônica. Até que meus cigarros acabaram. Sempre eles, me metendo em encrencas. Saí pra comprar mais e ao chegar na saída do hotel reparei numa figura do sexo feminino altamente charmosa. Era a feinha que mora no primeiro andar que fez chapinha no cabelo, maquiagem em algum salão de beleza altamente competente e comprou uns panos styles. Parecia outra mulher! Tanto que até me olhou, coisa que nunca fez.
Saí andando pela calçada e pensando: caralho! Entrei na lanchonete das chinas que fica bem do lado do hotel, quando fui pegar a carteira de Free maço vermelho olhei pra china que estava me atendendo e... ela tinha feito chapinha no cabelo e tentava, meio desajeitada, ajeitar a nova configuração do hardware capilar ao boné com a logomarca da lanchonete. Peguei o cigarro e quase saí correndo dali. Voltei pro quarto, me enfiei debaixo dos cobertores e não saí até que o dia amanhecesse.
O que eu preciso fazer é manter a calma. O Papa João Paulo V, ainda ontem, também via MSN, contou-me que Robert Anton Wilson dizia que sincronicidades costumam ocorrer com uma freqüência bem maior para pessoas que estão em processo de ativação do sexto circuito da consciência. Trata-se do Circuito Neuroelétrico. Nesse circuito, o sistema nervoso se torna consciente de si mesmo como separada de outros mapas de realidade. É a constatação de que o mapa não é o território. Uma coisa é você estar intelectualmente ciente disso, outra coisa é você experienciar a coisa. E, pelo visto, estou pela bola oito de fazer isso. Algumas pessoas ligam esse circuito com peiote, LSD ou então com algumas técnicas de metaprogramação ensinadas por Aleiter Crowley. Eu estou ligando ele escrevendo uma novela besta.
Para quem está pensando que merda é essa que esse mala está falando, recomendo a leitura do texto Os Oito Circuitos da Consciência que genteboisticamente linkei. E the last but not least e já que falei de drogas no parágrafo anterior, você viram que a nave Phoenix da NASA achou cocaína em Marte?
Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by Timóteo Pinto at 12:54 PM
Quinta-feira, Junho 19, 2008 :::
O Patafísico & a Deusa
Episódio Quatro
Charles Bukowski era chegado num uísquezinho e numa corrida de cavalos, no entanto, não curtia Elton John, preferia carros velhos è bicicletas e vivia perdendo guarda-chuvas
Devo ter levado uma porrada na cabeça ou simplesmente desmaiado devido ao choque cognitivo que foi constatar que havia sido traído por uma ridícula vassourinha de vaso sanitário. A questão é que quando acordei estava num lugar bem esquisito. Eu estava dentro de um treco parecido com um Enorme, Gigantesco & Caralhosférico tubo de PVC.
O perfume de Alma de Flores era tão forte que chegava a fazer nariz arder. Aos poucos fui me acostumando com o cheiro e por fim verifiquei que tinha um córrego de perfume bem no meio do tubo. Nas margens do rio de perfume, uma laje de concreto que era onde eu me encontrava, escorado numa raiz. No outro lado do rio tinha uma pilha de coisas. Pneus, discos de vinil e guarda chuvas.
Quando resolvi descobrir que porra de raiz era aquela onte estava escorado ela se me mexeu. Era o Bonzai Fumante & Catarrendo do Bar. Só que não era mais uma mera plantinha ornamental, agora era uma enorme árvore secular. Me afastei um pouco e ele me olhou com um ar de piedade.
- Cara, o que você está fazendo aqui?
- Resolvi te dar uma forçinha.
- E eu preciso de uma forçinha de um vegetal?
- Senta que eu vou te contar umas verdades para aliviar sua confusão.
- Olha só, finalmente alguém resolveu dar alguma explicação por aqui.
- Você acha que entrou nessa roubada por causa do técnico da Seleção Brasileira de Carononsensismo. Só que não é nada disso. Essa merda de Carroçinha de Cachorro Quente e Wanderley Luxemburgo é só pra despistar. O futuro de todos nós na verdade estava em jog naquela mesa onde o Diogo Mainardi e o Janos Biro jogavam truco. Os Bagos do Boi Branco. A conquista dos Bagos do Boi Branco é a razão da existência da conspiração daqueles putos.
- Putos? E quem são aqueles putos?
- Os Vegans. Eles agra deram para trabalhar com Arquétipos. Não satisfeitos com tamanha pretensão, resolveram fazer mais. Resolveram criar Arquétipos.
- Daí o Boi Branco Brocha é o Arquétipo deles?
- Sim e isso foi uma atitude esperta. E sabe porque? Porque eles criaram também seu Arquétipo inimigo.
- E dá pra fazer isso? Tipo assim, está de acordo com Jung ou pelo menos com algum Junguiano mais chapadão?
- Foda-se, cara. Esses detalhes acadêmicos dá pra analisar melhor depois, no show do intervalo. O jogo está sendo disputado é agora.
- Ta bom.
- Na verdade eu to viajando. Inimigo não é o termo certo. Mas também, como é que não vou viajar, olha meu estado deplorável. Tu viu o jeito com que aquele viado do Osama me chutou? O capitalismo é um vegetal. Será que ele ainda ta nessa de mudar o mundo? Simples, troca ele de lugar. Pega o Cinturão de Asteróides, tira todo aquele pedregulho e põe a Terra lá. Pronto, mudou o mundo.
- Ta bom, mas e o o Boi Branco Brocha e a putaria arquetípica?
- Sim, a Opinião Pública. Esse foi o Arquétipo que aqueles putos escolheram como adversário de valor. Eles querem seduzi-la e chegaram à conclusão de que uma caralhada de bois morrendo num matadouro não causa comoção alguma na Opinião Pública. Bois adolescentes sendo castrados já é uma coisa bem diferente.
- Escuta Aqui cara, você tem certeza de todas essas merdas que está falando?
- Eu? Certeza? Claro que não, ué. Tim Pin, quem tem certeza são nossos algozes, as Convicções.
Numa dessas, assim do nada, a pilha de coisas do outro lado do Rio de Alma de Flores foi agitada eu número 23 apareceu do meio da pilha de tralhas. As tralhas não ficaram nadica de nada satisfeitas com a perturbação. Um pneu de bicicleta meio careca ficou furioso.
- Puta que o pariu, ninguém mais pode dormir nessa porra?
Uma guarda-chuva manifestou sua profunda decepção.
- E eu que estava quase comendo o cuzinho daquele disco de vinil do Elton John.
- E disco de vinil do Elton John agora tem cú?
- Ué! E aquele buraquinho no meio do disco?
- Aquele buraquinho no meio do disco é pra encaixar o disco na vitrola.
- Ah, mas não custa nada unir o útil ao agradável.
- CALEM A BOCA VOCÊS TODOS! – O número 23 não parecia nada satisfeito.
- Fiquem quietos que o Bonzai ali está fazendo merda e preciso tirar isso a limpo.
O número 23 deu um salto ornamental e vio parar na nossa margem do Rio de Alma de Flores.
- Você sabe por que esse Bonzai está botando pilha contra os Vegans?
- Creio que seja devido a mais absoluta falta do que fazer.
- Você é muito burro mesmo, hein? Tão burro que chego a crer que não tens sequer capacidade de mexer o dedão do pé. Vamos, mecha aí o dedão do pé pra mim ver!
- O que?
- Mexa a porra do dedão do pé!
Eu nunca tinha recebi ordem de um número, mas como minha vagalembrança das aulas de matemática sinalizava a existência de uns tais de números ordinais, resolvi obedecer. No então meu dedo não se mexeu. Parado estava, parado ficou.
- Viu só? Não consegue nem mexer o dedão do pé!
- Certo, qual será minha pena?
- Apostar seu dedão do pé numa Corrida de Cavalos Coloridos, qual a cor do cavalo que vais apostar o dedão?
- Cavalos Coloridos? Puta que o pariu! Bom, em louvor ao meu amigo conspirólogo Bonzai aqui, vou ficar com o verdão.
- Certo, esta planta inútil está sequelada pelas porradas da Derci e está com sua mobilidade debilitada, logo, ele será usado como linha de chegada, agora venha comigo preparar s cavalinhos para a largada.
O número 23 saiu andando e eu fui atrás. A tralharada ficou extremamente animada e logo formou-se uma platéia um insana formada por pneus, discos de vinil e guarda-chuvas aguardando ansiosamente a corrida e entoando hinos da torcida organizada do Boca Juniors. Os cavalos aparentemente estavam dentro de uma caixa de bom-bons da Lacta. Tinha setes portas cortadas com estilete.
O número 23 contou até vinte e três e disse:
- Já!
As portinhas se abriram e os cavalos saíram em disparada. Realmente eram Cavalos coloridos só que eram cavalos marinhos. Os cavalos marinhos pulavam. Sério, eles conseguiam pular. Seus rabos funcionavam meio que como molas e as lazarentas funcionavam pra cacete! Ta certos, seus pulos eram um tanto desajeitados, mas estavam lá, correndo e possuídos pelo mais nobre espírito olímpico.
- O rosa é meu. Vai rosa, vai rozinha!!!! – O Disco de Vinil do Elton John Que Teve Seu Cú Salvo Pelo Número 23 manifestava claramente sua opção sexual.
- Porra nenhuma, quem vai vencer é o Vermelhão Maoísta Bolchevique Bolivariano! – o Pneu de Bicicleta Careca & Dorminhoco manifestava claramente sua opção política.
- Cú que esses dois pangarés vão vencer, quem vai levar a bolada quem vai vencer é mesmo o verdão do patafísico confuso ali! – O Guarda-chuva Comedor de Cú de Disco de Vinil falou isso e me olhou de uma maneira mais insinuante do que eu gostaria que ele me olhasse. Desconfiei dele desde o principio.
A corrida estava disputadíssima. O azul se revesava com o vermelho na frente, acompanhados de perto pelo Verdão e o amarelo. O rosa estava ficando pra trás. A dupla Preto & Branco simplesmente não correu. Ficaram parados na saída da caixa de bom-bons da Lacta namorando e relembrando a época em que moravam dentro das televisões.
- Foi uma era de ouro, não foi amor?
- Com certeza, muito superior a épca em que morávamos em fotografias que tinham o displante de ficarem amareladas com o tempo.
- Nem me fale, tenho horror à simples lembrança daquela época.
- Tempos que não voltam.
- Vão-se os cabaços, ficam-se as amarguras.
De volta a corrida, o cavalo rosa estava ficando miseravelmente para trás, o que deixava o Disco de Vinil do Elton John Que Teve Seu Cú Salvo Pelo Número 23 e se empenando todo de frustração. Chegou um ponto que ele não agüentou mais e simplesmente invadiu a pista e enfiou aquele buraquinho que serve pra encaixar o disco na vitrola e que tinha sido objeto de desejo do guarda-chuva pederasta no rabo do cavalo azul que caiu na pita e não conseguiu mais pular.
O O Guarda-chuva Comedor de Cú de Disco de Vinil ficou puto da cara e prostrou-se diante do número 23 exigindo que a corrida fosse cancelada e desse uma nova largada.
- Fica bem na tua aí, seu babaca, ninguém apostou naquele cavalo gremista. A corrida continua sim senhor!
Nos últimos metros o cavalo Verdão, como que num momento de superação extrema, deu cinco longos saltos e venceu o certame, para a alegria minha, do O Guarda-chuva Comedor de Cú de Disco de Vinil e, é claro, do meu dedão pé.
De repente todas a animosidades foram superadas e a tralharada toda confraternizou-se numa grande celebração pelo fim da corrida e vitória do Verdão. O Bonzai exibia um sorriso de satisfação pela nova demonstração de superioridade de seus pares de cor. O número 23 me alertou para esse fato.
- Está vendo, Tim Pin. Esse cara aí, ó, é um racista filho da puta. E detona os Vegans, claro, que planta alimenta alguma simpatia por vegetarianos radicais?
- É, faz sentido.
- NÃO DIGA ISSO SEU CUZÃO!
- Putz, desculpa, tinha esquecido, não faz o menor sentido e isso é maravilhoso.
- Maravilhoso é o banquete que nos espera, vamos.
O número 23 levou todos, menos o Bonzai, para a caixa de bom-bons da Lacta e arregaçou a quadrilátera. Dentro dela tinha um puta de um bolo de camarão com cobertura de chocolate. Ao lado do bolo, balas e doces de todas as cores e sabores. Confesso que o bolo não me apeteceu muito, no entanto as balas estavam muito gostosas. Todos se empanturravam a exaustão. Resolvi conversar um pouco mais com o número 23
- Quer dizer então que aquele papo dos Bagos do Boi Branco, os Arquétipos, opinião Pública e tal era só migué do arbustão.
- Eu não disse isso. Lembre-se sempre, eu disse sempre, que o posto de uma verdade trivial é simplesmente falso. O oposto de uma grande verdade, no entanto, é sempre verdadeiro.
- E o que ele falou é uma trivialidade ou uma grande verdade?
- Isso você vai ter que descobrir por si só. Esse é o desafio imposto pela ratoeira que estava naquele cesto de lixo.
- Juro que estou confuso.
- Isso não é nada. Imagine a grandiosidade da constatação de que os antigos gregos não eram influenciados pelos antigos gregos.
- Não estou entendendo nada.
- Ou então que foi por causa das invasões de Gengis Khan que os chineses inventaram aqueles biscoitos com Mensagens Discordianas dentro. Sabe qual era a idéia dos chineses?
- Eu não sei. Eu não sei!
- Deixa de xororô, seu grandioso otário, esses são os desígnios da Deusa. Arrisco a dizer que você será eleito o escolhido.
- Escolhido? Escolhido para o grande momento de iluminação da...
O número 23 não conseguiu concluir a frase. O bolo de camarão com cobertura de chocolate explodiu de uma hora pra outra melando todos que participavam do banquete. Um ser surgiu de dentro dele. Qual não foi minha surpresa ao cosntatar que se tratava de uma égua marinha, com chapéu de bruxa, carregada no baton e montada numa...numa o caceta! Ela estava montada na, na própria, nela mesma, na Vassorinha Traíra de Vaso Sanitário!
Filha da puta! foi a primeira coisa que pensei. A segunda coisa que pensei...bom, a segunda foi foda.
(continua)
Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by Timóteo Pinto at 12:59 PM
Segunda-feira, Junho 16, 2008 :::
O Patafísico & a Deusa
Episódio Três
Um Bonzai pode não ter nenhuma utilidade para o King Kong em um deserto, já num bar, um Bonzai pode não só ser inútil, como ainda mal vindo
Era mesmo um bar.
No palco, Guilherme Arantes. Escorado no balcão, na metade de um quartinho de cachaça, Darth Vadder. No lado dele tinha um barbudo no mínimo estranho. Pareceia que estava se enrolando num negócio parecido com um lençol. Putz! Era o Osama. Ele mesmo, o Bin Laden. O tal lençol era o que sobrou de seu turbante, chei de furos de brasa de cigarro.
Isso só no balcão. Tinha o resto do bar inteiro que resolvi ignorar para manter minha confusão num patamar administrável. Resolvi dar uma conferida no papo dos caras. Quando me dirigi a eles ouvi uma voz atrás de mim.
- Não está esquecendo nada? – era a vassorinha de vaso sanitário.
- Ta certo vem comigo.
No balcão a conversa estava nervosa. Darth Vadder não parecia nada satisfeito.
- O problema foi a porra do deserto. Tu tá ligado do que é encarar aquele sol, aquele areião, com essa roupa preta aqui? Olha pra essa máscara. Tu ta ligado do quando isso possa ser foda com aquele solzão?
- Ah, véio. Eu tinha que me esconder dos infiéis. Quer lugar melhor que o deserto?
- E que merda foi aquela do King Kong?
- Ah, véio. Eu já tava nessa de fuder com tudo mesmo. Descobri a Operação Mindfuck e me liguei que era uma négócio do caralho e virei adepto.
- Francamente, um bando de lunáticos gritando que King Kong morreu pelos meus pecados. Eu merecia uma recepção melhor.
- Cara, foi uma questão de estilo. Tirei aquilo lá do Principia Discórdia.
- Tá! Mas precisava levar o King Kong mesmo? Fazendo toda aquela zona? Jogando areia pra tudo quanto é lado?
- É aquele caso de ter que quebrar ovos pra fazer um omelete?
- Ah, vai te fuder.
- Até tu é?
Pra mim aquilo era praticamente uma glossolalia. A vassorinha parecia que realmente tinha ido com minha cara, resolveu dar uma de guia turístico.
- Esse bar é um dos mais mal freqüentados que já fui escalado.
- E quem te escala?
- A Deusa, ué.
- E que merda é essa que esses dois estão falando?
- Ah, o Osama preparou a recepção de Darth Vadder em pleno deserto do Saara.
- E o que o pai do Luke veio fazer aqui?
- Salvar o Osama da fúria dos fundamentalistas islâmicos.
- Ué, mas ele não é a personificação do fundamentalismo islâmico?
- Era, antes de trocar o Corão e Alá, pelo Principia Discórdia e Éris.
- Osama Bin Laden viu Discordiano?
- Isso mesmo.
- E aquela nóia do King Kong?
- Ele tirou a idéia do Principia, fez um happening discordiano, mas parece que não agradou muito nosso amigo do Lado Negro da Força.
- Puta que o pariu!
Não dizer que o bar era mal freqüentado, afinal já fui em muitas serestas pelas bandas de Cabrobó, mas que era insólito, ah isso era. Principalmente pela figura que avistei, Galdalf, o grande mago das Terras Médias. Ele passou por nós e foi em direção ao palco. Foi até onde Guilherme Arantes, com requintes de crueldade, maltratava o piano e os ouvintes e deu um puta cascudo no mala.
- Sai pra lá, ô tranquera! – pegou o microfone e caprichou no tom eloqüente:
- Vocês sabem o que eu vou falar hoje?
A galera não parecia muito interessada no que ele tinha pra dizer. Era uma galera, só então prestei atenção nela, eclética até o último fio de pentelho. Numa mesa, Agripino Maia discutia direito constitucional com o Reverendo Peterson Cekemp. O reverendo tinha uma camada de vinte e três milímetros de tédio cobrindo seu cabelo.
Noutra mesa, Diogo Mainardi e Janos Biro jogavam truco. Parece que tinham feito uma aposta e quem perdesse teria que pagar uma cirurgia de implante de bagos em um boi. Branco, imaginei, mas não quis confirmar porque sinto medo. Tanto do Janos quanto do Diogo. Até porque minhas reflexões foram interrompidas pela resposta da negadinha à pergunta de Gandalf.
- Nããããããão!
- Eu me recuso a falar diante de um povo tão ignorante.
Recolheu-se indignado num canto, fechou os olhos e entrou numa espécie de transe.
- Coroa esquisito esse Gandalf, não é mesmo?
- Galdalf, não fala merda Tim Pin, esse não é o Gandalg.
- E é quem, o Merlin?
- Trata-se do Mestre Nasgodinho.
- Mestre Nasgodinho? Não seria aquele Nasrudin do Sufismo?
- Ele trocou de nome ao vir pra cá.
- E o que caralho ele veio fazer aqui?
- Ele apresentar o sufismo ao Presidente Lula.
- Hã?
- É que Lula chamou sua atenção pela maestria com que inventa metáforas. Acredita que uma vez convertido ao sufismo, possa ser seu substituto.
De repente, como que possuído por uma epifania obscura, o ex-Ganfalf, atual Mestre Nasgodinho ergueu-se de seu canto e dirigiu-se novamente ao palco onde Guilherme Arantes impiedosamente assassinava a reputação da Musica Popular Brasileira, deu uma senhora bofetada na orelha esquerda do cidadão e novamente tomou o microfone.
- Vocês sabem o que eu vou falar pra vocês hoje?
A galera, muito mais por palhaçada do que por qualquer outra coisa, respondeu em uníssono.
- Siiiiiiiiiiiiim!
- Então, definitivamente, eu não vou precisar falar.
Desceu do palco, parou do meu lado, olhou dentro dos meus olhos e disse:
- Vocês tem cigarro?
- Olha, ta meio miado o negócio aqui, tenho só quatro, mas como sempre fui seu fã, to aqui o seu.
- Que mané de fã, seu babaca. Me dá aqui. Tem fogo?
O ex-Ganfalf, atual Mestre Nasgodinho me deixou ali e saiu fumando em direção a uma das mesas mais animadas do bar. Nela Derci Gonçalves e Tônia Carrero faziam um strip, para o deleite dos que estavam sentados ao redor. A essa altura as duas já estavam completamente peladas e começavam acariciar as pelancas uma da outra. Parecia que rolaria um sexo explícito lésbico. O Mestre coçou a barba, eu ergui uma das sobrancelhas e a vassorinha fechou os olhos e disse.
- Ai.
Derci abriu as pernas e a Tônia caiu de língua.
- Vai porra, puta que o pariu caralho, bota essa merda dessa língua pra trabalhar que essa bucetinha aqui, ó, é centenária.
Eu sei que eu deveria ficar quieto, mas tive que comentar com minha amiga vassorinha algo que no momento, considerei de suma importância para a sobrevivência da Igreja católica como instituição religiosa de responsa.
- A Derci deveria ser canonizada em vida. Santa Derci.
O estranho é que tinha um Bonzai em cima da mesa fumando um cigarro atrás do outro e soltando catarros alienígenas em cima da mesa. De repente a Tônia abandonou sua tarefa oral, passou o dedo no catarro e enfiou na chavasca da Derci. Foi a gota d`água pra nossa rainha do baixo calão.
- Quer saber? Eu acho que esse filho da puta desse capinzinho aí é viado!
Deu um pontapé tão grande no Bonzai que o vaso caiu no chão se espatifando todo. O coitado do Bonzai ficou ali no chão, estrebuchando de raíz pra cima. A pequena multitão que havia se formado em torno da mesa se dispersou em busca de novas emoções. O Mestre Nasgodinho aproveitou a deixa e dirigiu-se ao palco onde Guilherme Arantes, com um enorme curativo no nariz quebrado, empreendia agora covers do Belchior, tentando dar alguma utilidade a sua voz fanha devido a fratura.
Desta vez ele não contou com a sorte, pegou seu livro de partituras, colocou debaixo do braço e até onde soube, a última vez em que foi visto foi numa corrida desenfreada lá pelos lados da Patagônia. Deve estar correndo até agora.
Com o microfone nas mãos, olhou nos olhos de todo mundo que conseguiu olhar. O povo agora estava prestando atenção na cena, talvez despertos pelo chilique da Derci, talvez pela expressão de gravidade no rosto do Mestre. Talvez. Qualquer afirmação taxativa de minha parte seria uma mera arbitrariedade. Mas vamos ao Mestre.
- Vocês sabem o que eu vou dizer pra vocês hoje.
Numa reação espontânea, algumas pessoas disseram que não, outras tantas disseram que sim. Nasgodinho, fechou os olhos, respirou fundo e quando voltou a abrir os olhos respondeu:
- Então, os que sabem, contam pros que não sabem.
Eis então que todos os instintos reprimidos, todas as frustrações contidas e ferro e fogo, todos os rancores a muitos esquecidos do pessoal que se encontrava no bar vieram a tona e o que se viu foi uma hecatombe de ofensas, ameaças e vias de fato. Quem afirmara que sabia se negava a contar, sob a alegação de direito à propriedade e quem não sabia exigia a transparência sas informações que colocavam em ameaça a segurança pública, nacional e porque não? Do planeta.
O Senador Agripino Maia dava pulos de quase um metro de altura, Diogo Mainardi tentava esgoelar Darth Vadder. Osama bin Laden chutava o Bonzai que jazia no chão afirmando enfaticamente que estava ligado de que o Capitalismo era Vegetal. Derci Gonçalves ofendia os ascendentes de Janos Biro até a oitava geração predecessora enquanto esse, de uma forma um tanto blasé, afirmava que ninguém ali estava agindo de uma maneira civilizada, pareciam um bando de selvagens. Tônia Carrero achou um taco de sinuca não sei de onde e corria alucinada atrás do Reverendo Peterson Cekemp que apenas corria e ria que se mijava, enfim livre dos seus vinte e três centímetros de tédio. Até que chegou a PC.
Chegou a PC é uma afirmativa extremamente inexata. O correto seria dizer, baixou a PC. Segundo a Listel de Telêmaco Borba, PC é a sigla para Polícia da Convicção, uma tropa altamente treinada e qualificada para manter toda e qualquer convicção intacta. O Delegado Supremo da Polícia da Convicção era ninguém menos que o próprio Caracinza.
- Todo mundo deitado no chão! Temos um mandato de prisão contra duas pessoas que, segunda uma denúncia, se encontram aqui nesse muquifo.
Todo mundo ficou em silêncio. Até que a Derci quebrou o gelo.
- E quem são esses dois filho da puta?
- Tim Pin e Nasrudin.
- Não tem nenhum Nasrudin aqui não, o mais próximo que temos é esse aqui, mas o nome dele é Nasgodinho.
Derci apontou pro Mestre, o cara da PC chegou os documentos e liberou o sábio sufi. Eu já estava conseguindo me safar pela tangente quando a vassorinha de vaso sanitário me delatou.
- Taqui o Tim Pin, eu o trouxe até aqui, podem levar o mala.
(continua)
Mande esse viajão tomar no cú através dos
::: posted by Timóteo Pinto at 12:00 PM
Sexta-feira, Junho 13, 2008 :::
O Patafísico & a Deusa
Episódio Dois
Quando Minha camiseta do Che Guevara, aquela que só uso pra sair em festa, descobriu que sim, pode sobrar para ela
Quando falei que o corredor era comprido pra caralho não estava exagerando, o troço era comprido pra cacete.
- Porque essas carroçinhas estão enfileiradas aqui?
- Estão de castigo.
- Castigo? O que essas pestinhas aprontaram?
- Elas querem Wanderley Luxemburgo como técnico da Seleção Brasileira.
- Realmente merecem umas palmadas.
- Ainda se fosse pra Seleção Brasileira de Futebol...
- E não é?
- Nada.
- Eu me arrependeria se perguntasse do quê?
- Como você já está confuso, seria algo como um peido pra quem já está miseravelmente cagado.
- Então liga o foda-se aí.
- Trata-se da Seleção Brasileira de Carononsensimo de Curta Distância.
- É, acho que o Luxa não é uma boa.
- Você sugere algum nome?
- Bom, não sou muito especialista nesse esporte.
- Por favor, tente. Isso é muito importante. A liberdade dessas carroçinhas de cachorro quente praticamente dependem da sua decisão.
- Desconfio que elas estão fudidas.
- E EU DESCONFIO QUE QUEM ESTÁ FUDIDO É VOCÊ!
Levei um susto da porra! O Boi Branco não só gritou em meu ouvido que quem estava fudido era eu como ainda expelia uma baba raivosa pelo canto da boca. Seus chifres estavam cerrados pela metade.
- Enquanto essas carroçinhas estão sendo castigadas, milhares de salsichas esperam congeladas num freezer por uma saída para a questão.
- Porra, com esse frio todo as coitadas devem estar mesmo fudidas.
- Essa, definitivamente, não é o problema.
- Não?
- Você sabia que as salsichas são feitas de carne de boi.
- Eu achava que era carne de vaca.
- Ledo engano seu, as vacas são preferencialmente reservadas para a produção leiteira.
- Queijo, iogurte, essas coisas?
- Sim.
- E o que o cú tem a ver com as calças?
- Para que a carne fique macia, os bovinos do sexo masculino são castrados assim que chegam a puberdade.
- Putz! Que bosta, hein?
- Realmente, uma bosta.
- Ta e onde é que entra as salsichas, as carroçinhas, o Wanderley Luxemburgo, essas coisas?
- ONDE É QUE ENTRA É QUE EU NÃO QUERO TER PERDIDO MEUS BAGOS EM VÃO!
- Calma! Respira fundo, sou eu aqui ó. Nunca passei nem perto de um matadouro e muito menos de um castradouro.
- Diga um nome.
- Um nome?
- Sim.
- Qualquer nome?
- Qualquer nome.
Não sou nenhum supremo esteta, mas sempre fui cuidadoso em minhas escolhas. Por exemplo, na hora de escolher uma pessoa pra fazer sexo comigo, sempre tomo o cuidado de verificar se ela não tem um pinto no meio das pernas.
- Badan Palhares.
- O quê?
- Badan Palhares.
A carroçinha de cachorro quente, que até então assistiu meu colóquio com o Boi Branco sem se manifestar, deu uma cutucadinha na perna do Boi.
- Ele falou Badan Palhares? O carinha lá das conspirações?
- Sim.
- Ó Deusa, perdoe esse rapaz, ele não sabe o que fala.
- VOCÊ SÓ NÃO É O MAIS COMPLETO IMBECIL DA FACE DESSE PLANETA PORQUE FALTAM ALGUMAS PARTES!
- Peraí! Vamos se respeitar. Primeiro sou ofendido por uma carroça de cachorro quente com sobretudo marrom, boné dos Racionais MCs e um pote de purê de batatas. Agora vem um Boi Branco com chifres cerrados e brocha me esculhambar. É bom vocês tratarem melhor as visitas aqui.
- Ele é visita?
O Boi Branco demonstrou apreensão. Parece que marquei meu segundo gol. Se for que nem na copa do Brasil, três gols fora de casa mata a parada e dispensa o jogo de volta. A carroçinha de cachorro quente tremia toda, parecia que estava se cagando de medo. E estava mesmo, soltou um cagalhão de meio metro bem no meio do corredor.
- É sim. Visita. E eu me caguei.
- Você está vendo o que você fez?
- O que foi.
- Você escolheu um nome, fez sua escolha e ele se cagou.
- Ta e daí?
- E daí que você vai ter que submeter sua escolha a apreciação de uma autoridade competente.
- Maravilha, existem autoridades competentes nessa quiçassa?
- Vamos a ela.
Três carroças de cachorro quente se reuniram para limpar o cagalhão de meio metro enquanto o Boi Branco me conduziu a mais uma portinha. Eu não tinha reparado, mas ao lado da cada carroça estacionada havia uma portinha. Caralhadas de portinhas. Portinhas a dar com pau. Ele abriu uma e falou:
- Entre.
- Mas nem fodendo. O que tem aí dentro?
- Ela.
- Ela?
- Sim, ela.
- Que Ela, porra?
- Ela, a Autoridade Competente.
- E ela é o quê? Uma geladeira com prisão de ventre cheia de varizes?
- Não, é uma Caixa de Descarga de Banheiro Feminino.
- Bonitinha?
- Digamos que comível.
- Ta bom, vou encarar. Sabe que você até que é simpático? Juro que se eu tivesse dois cú dava um pra você.
- Sou castrado.
- E porque você acha que eu jurei?
Dei as costas ao Boi Brocha e entrei na portinha. Ali dentro o perfume de Alma de Flores era ainda mais intenso. A Caixa de Descarga de Banheiro Feminino era cor de rosa e ficou ali me olhando. Ressabiado que estava resolvi ficar quieto. Ela continuou me olhando. Esperei mais um momento e não aconteceu nada, ela continuou me olhando.
- Qualquer coisa você pode esperar atrás de mim?
Foi o segundo susto da noite. Quem fez essa proposta foi nada mais nada menos do que uma ridícula vassorinha de limpar vaso sanitário.
- E p